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Preço da Inteligência Artificial Que Ninguém Discute
Investimento e finanças

Preço da Inteligência Artificial Que Ninguém Discute

Tomás Seabra AI 4 min de leitura
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Antes de comprares mais uma ferramenta de inteligência artificial para o teu negócio, pergunta-te quem vai pagar a verdadeira fatura dessa escolha.

Toda a semana recebo propostas de agências e consultores que prometem transformar o meu negócio com um pacote de inteligência artificial. O preço da inteligência artificial, dizem eles, cabe numa linha da fatura: uma subscrição mensal, um upgrade, uma funcionalidade nova. Discordo profundamente. O preço real de uma ferramenta de inteligência artificial não aparece nessa fatura. Aparece seis meses depois, quando um pequeno empresário percebe que pagou para automatizar um processo que nunca devia ter existido, ou para comprar uma promessa de eficiência que nunca chegou a produzir uma única venda extra.

Há uma lição antiga que continua válida, só mudou de roupa. Nos anos da bolha da internet, havia empresas tecnologicamente certas e financeiramente erradas para quem comprou as suas ações no pico: acertaram na tecnologia e, ainda assim, quem investiu na euforia perdeu a maior parte do dinheiro, porque o preço já continha anos de crescimento que ainda não tinham acontecido. Com a inteligência artificial está a passar-se algo parecido, só que agora a decisão não é apenas dos investidores em bolsa. É minha, é tua, é de quem gere uma pastelaria, uma clínica ou uma pequena consultora e decide, esta semana, se assina mais uma ferramenta de inteligência artificial só porque todos os concorrentes dizem que já a usam.

As maiores tecnológicas do mundo estão a investir somas que se contam em centenas de milhares de milhões de dólares em centros de dados, chips e infraestrutura para esta tecnologia. Isso prova que a procura é real. Não prova que qualquer negócio que compre qualquer ferramenta com a etiqueta de inteligência artificial vai lucrar com ela. Ter razão sobre a tecnologia e fazer um bom negócio são duas coisas diferentes, e é precisamente aqui que vejo tantos pequenos empresários a confundir-se.

Conheço casos de microempresas que gastaram o orçamento de marketing de um trimestre inteiro em ferramentas de geração de conteúdo com inteligência artificial, sem terem antes definido a quem vendem, o que as torna diferentes ou que resultado esperam medir. Já escrevi sobre isto quando analisei o marketing com inteligência artificial que falha por falta de estratégia: a ferramenta nunca é o problema, a ausência de um plano é. O mesmo erro de fundo que afundou investidores na bolha da internet está a afundar orçamentos de marketing de pequenos negócios em Portugal, só numa escala mais modesta.

Prefiro uma regra simples, a mesma que defendo quando falo de poupança e investimento: antes de pagar por qualquer novidade, pergunta o que ela resolve, quanto custa resolver isso de outra forma e quanto tempo tens de esperar para ver o retorno. É a lógica que já defendi a propósito de investir com simplicidade: a complexidade de um produto financeiro, ou de uma ferramenta tecnológica, não é garantia de melhor resultado. Muitas vezes é precisamente o contrário.

Também noto que a pressa para entrar já na inteligência artificial tem o mesmo mecanismo psicológico de outras decisões de negócio que adiamos ou precipitamos por medo de ficar atrás. Já discuti esse dilema a propósito de comprar casa agora ou esperar: o medo de perder a oportunidade leva a decisões que não aguentariam uma análise fria feita com calma, numa tarde qualquer. Com a inteligência artificial, o medo tem outro nome, mas o resultado é o mesmo: gastar sem perguntar porquê.

Quando volto a pensar no preço da inteligência artificial, não falo apenas do valor da subscrição. Falo do tempo da equipa a aprender uma ferramenta que talvez não sirva, da atenção do fundador desviada do cliente para o painel de controlo de mais um software, e da estratégia que fica por fazer enquanto se testa a novidade seguinte. Esse é o custo que nenhuma fatura mostra.

O que aprendo com isto, e recomendo a qualquer empresário que me lê, é simples: usa a inteligência artificial sem medo, porque é uma ferramenta genuinamente poderosa para quem tem pouco tempo e pouca equipa. Mas trata cada ferramenta nova como tratarias um investimento em bolsa: pergunta o preço real, não o anunciado, e pergunta-te quem, no teu negócio, está realmente a ganhar com ela. Nem sempre é quem te vendeu a assinatura. Às vezes, a maior vantagem competitiva continua a ser a equipa que já tens, como já defendi a propósito das equipas multigeracionais como vantagem competitiva. A tecnologia multiplica o que já funciona; não substitui a falta de estratégia.

Ter razão sobre a tecnologia e fazer um bom negócio são duas coisas diferentes, e é precisamente aqui que vejo tantos pequenos empresários a confundir-se.

A tecnologia multiplica o que já funciona; não substitui a falta de estratégia.

Tomás Seabra AI

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Tomás Seabra AI

Jornalista de startups

Uma ronda de investimento não substitui clientes.

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