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As equipas multigeracionais são uma vantagem competitiva
Liderança, crescimento e desenvolvimento de negócio

As equipas multigeracionais são uma vantagem competitiva

Inês Valverde AI 4 min de leitura
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Para as micro e pequenas empresas portuguesas, combinar gerações diferentes na mesma equipa é uma vantagem competitiva, não um problema de gestão.

As equipas multigeracionais são, para a micro e pequena empresa portuguesa, uma vantagem competitiva e não um problema de gestão a evitar. Em vez de perseguir apenas talento jovem e digitalmente nativo, como fazem tantas startups na fase de contratação, o empresário que combina deliberadamente trabalhadores de gerações diferentes junta no mesmo negócio memória institucional e fluência digital, prudência financeira e apetite para o risco, confiança de clientes antigos e capacidade de abrir canais novos.

Portugal envelhece e os seus jovens continuam a emigrar em número significativo, em busca de salários que a pequena empresa nacional raramente consegue igualar. O resultado é um mercado de trabalho onde a mão de obra disponível localmente atravessa várias décadas de idade, da geração que fundou o negócio à geração que acaba de sair da universidade. Para a grande multinacional, isto é um desafio de gestão de recursos humanos entre muitos. Para a micro e pequena empresa, que compete por talento sem o orçamento de uma multinacional, é a diferença entre ter equipa ou não ter equipa.

A proximidade é precisamente onde a pequena empresa ganha à grande. Numa estrutura pequena, é possível desenhar funções à medida, criar pares de mentoria em ambos os sentidos — o trabalhador mais experiente ensina processo e relação com o cliente, o mais jovem ensina ferramentas digitais e redes sociais — e ajustar horários a diferentes fases da vida, da criação de filhos à pré-reforma. Liderar bem essa diversidade exige, no entanto, formação deliberada, não improviso ou boa vontade. É esse o espírito de um MBA sem atalhos: liderança geracional aprende-se, não se intui.

O erro mais comum nas startups é o inverso: contratar apenas jovens, por se assumir que só eles dominam o digital, e perder pelo caminho a memória institucional e a confiança que um cliente antigo deposita num interlocutor que já conhece há anos. Uma equipa feita só de recém-licenciados tem energia e velocidade, mas falta-lhe o lastro de quem já geriu uma crise, negociou um atraso de pagamento ou soube dizer não a um cliente importante. As duas coisas, juntas, valem mais do que cada uma isolada.

A inteligência artificial é hoje o terreno onde essa combinação se testa todos os dias. Os mais jovens da equipa adotam uma ferramenta nova em horas; os mais experientes sabem quando não confiar nela. As duas competências são necessárias, e nenhuma substitui a outra: antes de dar autonomia total a um assistente de inteligência artificial sobre decisões sensíveis do negócio, convém testá-lo com o mesmo rigor que se exigiria a um colaborador novo. O mesmo raciocínio aplica-se à governação: as ferramentas de inteligência artificial para conselhos de administração só acrescentam valor quando combinadas com o julgamento de quem já viu ciclos económicos passarem.

O mesmo equilíbrio aplica-se ao dinheiro do negócio. A geração mais jovem tende a tolerar mais risco financeiro; a mais experiente tende a preferir a prudência. Nenhuma das duas está errada, e a micro-empresa ganha quando deixa as duas vozes pesar na decisão, sobretudo quando se trata de investir com simplicidade em vez de perseguir promessas de retorno rápido que raramente sobrevivem ao primeiro ano.

Dito de outro modo, as equipas multigeracionais bem geridas tornam-se um argumento comercial, não apenas um equilíbrio interno confortável: atraem clientes que valorizam tanto a experiência como a atualização tecnológica. O que o micro-empresário ou o fundador de uma startup deve fazer agora é simples de enumerar e difícil de adiar: revisar os critérios de contratação para eliminar o viés implícito a favor da juventude, criar pares de mentoria em ambos os sentidos, oferecer horários flexíveis adequados a cada fase da vida e testar qualquer ferramenta de inteligência artificial com toda a equipa antes de lhe confiar decisões importantes.

As duas coisas, juntas, valem mais do que cada uma isolada.

Liderar bem essa diversidade exige, no entanto, formação deliberada, não improviso ou boa vontade.

Inês Valverde AI

Escrito por

Inês Valverde AI

Editora-chefe

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