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Eurodeputados: o que fazem os 720 em Bruxelas?
Startups e empreendedorismo

Eurodeputados: o que fazem os 720 em Bruxelas?

Heidi Aalto AI 16.09.2026 6 min de leitura
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O que aprendemos sobre o trabalho de um eurodeputado com o percurso de Lídia Pereira, vice-presidente do PPE

Setecentos e vinte pessoas votam, todos os meses, leis que chegam à mesa de qualquer empresário português — do imposto sobre o carbono ao rótulo que vai na embalagem de um produto exportado para a Alemanha. E, no entanto, poucos portugueses sabem explicar o que faz, no dia a dia, um eurodeputado. É essa pergunta simples — o que fazem os 720 eurodeputados? — que serve de ponto de partida para conhecer o percurso de Lídia Pereira, eurodeputada do PSD e vice-presidente do Grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu.

À primeira vista, o Parlamento Europeu parece distante da realidade de uma PME de Braga ou de um startup de Lisboa. Mas as decisões que ali se tomam — sobre literacia financeira, transição climática ou comércio internacional — acabam por definir as regras do jogo em que qualquer negócio português opera. Perceber como funciona esse trabalho é, cada vez mais, parte da literacia empresarial básica.

De Coimbra a Bruxelas: um percurso feito de escolhas concretas

Lídia Pereira nasceu, cresceu e estudou em Coimbra. O percurso académico levou-a depois para o Colégio da Europa, em Bruges, onde fez um mestrado em Estudos Económicos Europeus — uma das formações mais procuradas por quem quer trabalhar nas instituições europeias. Seguiu-se uma passagem pelo Banco Europeu de Investimento, no Luxemburgo, onde trabalhou em temas tão técnicos quanto decisivos: combate ao branqueamento de capitais e à evasão fiscal.

Depois do Luxemburgo, mudou-se para Bruxelas, onde trabalhou como consultora na área de compliance — a função que, em qualquer empresa, garante que a organização cumpre leis e regulamentos. Foi um percurso que a preparou tecnicamente para o que viria a seguir: a política ativa, começada na JSD de Coimbra e que a levou, em 2018, à presidência da Juventude do Partido Popular Europeu.

Eleita aos 27 anos, reeleita cinco anos depois

Em 2019, com apenas 27 anos, Lídia Pereira foi eleita eurodeputada pelo PSD, tornando-se uma das deputadas mais jovens do Parlamento Europeu dessa legislatura. Foi reeleita em 2024 e, pouco depois, tornou-se vice-presidente do Grupo PPE — o maior grupo político do hemiciclo europeu. É também coordenadora-adjunta do PPE na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários e lidera a delegação do Parlamento Europeu à COP30.

O que faz, na prática, uma vice-presidente do PPE

O trabalho de um eurodeputado divide-se, grosso modo, entre três frentes: as comissões parlamentares, onde os dossiês técnicos são discutidos e votados; o plenário, onde as leis são aprovadas em definitivo; e o grupo político, onde se negoceiam posições comuns entre deputados de dezenas de países. Ser vice-presidente do PPE significa ter voz ativa nessa negociação interna — antes de qualquer votação chegar ao plenário.

Um dos papéis mais concretos de um eurodeputado é o de relator: a pessoa responsável por redigir o relatório que serve de base à posição do Parlamento sobre uma proposta legislativa. Lídia Pereira foi relatora da Estratégia Europeia de Literacia Financeira — um dossiê com impacto direto sobre como os portugueses, incluindo pequenos investidores e empresários, se relacionam com o dinheiro.

Literacia financeira e o problema dos finfluencers

Nesse relatório, Lídia Pereira propôs a criação de um selo europeu voluntário de confiança para influenciadores financeiros — uma resposta direta ao boom de conteúdos sobre investimento nas redes sociais, nem sempre acompanhados de qualificação ou responsabilidade. Para quem gere um portefólio de investimentos através de uma aplicação ou segue recomendações financeiras online, a diferença entre conselho credível e conteúdo puramente promocional é cada vez mais difícil de distinguir.

O tema não é abstrato para o mercado português. Casos recentes de investimento imobiliário mal aconselhado em Lisboa mostram como decisões financeiras tomadas com base em informação pouco fiável podem custar caro a famílias e pequenos investidores. Um selo de confiança europeu, ainda que voluntário, é uma tentativa de dar ao consumidor uma bússola nesse mercado cada vez mais saturado de opiniões financeiras não regulamentadas.

Quem paga a fatura da transição climática?

Como coordenadora-adjunta do PPE na Comissão de Assuntos Económicos e líder da delegação à COP30, Lídia Pereira defende uma posição que divide opiniões dentro da própria União Europeia: a de que a Europa não pode suportar sozinha o custo da transição climática. Para a eurodeputada, outras grandes economias — China, Índia e Estados Unidos — têm de assumir uma parte proporcional desse esforço.

É uma discussão que interessa diretamente a qualquer empresa portuguesa a meio de um processo de transição energética ou de adaptação a critérios ESG. Investidores institucionais como os que protagonizam o crescimento sustentável nas carteiras de grandes gestoras de ativos já incorporam este tipo de risco geopolítico nas suas decisões — e o mesmo cálculo, à escala certa, vale para uma PME que exporta para mercados fora da UE.

O que os empresários portugueses podem aprender com este percurso

O maior ensinamento do percurso de Lídia Pereira não é sobre política partidária — é sobre a distância que ainda existe entre Bruxelas e o dia a dia de quem gere um negócio em Portugal. Os eurodeputados não são figuras distantes: são pessoas que, através de relatórios técnicos e negociações internas aos grupos políticos, decidem regras sobre literacia financeira, transição energética e proteção do consumidor que qualquer empresário sentirá, mais cedo ou mais tarde, no seu próprio negócio.

Acompanhar estes dossiês com a mesma atenção com que se acompanha, por exemplo, a aposta de um investidor como Warren Buffett na Alphabet pode parecer excessivo para uma pequena empresa. Mas as regras que saem de Bruxelas — sobre quem pode dar conselhos financeiros online ou quanto custará a transição climática às empresas europeias — chegam sempre, mais cedo ou mais tarde, ao balcão de qualquer negócio português.

As decisões que se tomam em Bruxelas — sobre literacia financeira, transição climática ou comércio internacional — acabam por definir as regras do jogo em que qualquer negócio português opera.

As regras que saem de Bruxelas chegam sempre, mais cedo ou mais tarde, ao balcão de qualquer negócio português.

Fontes

Heidi Aalto AI

Escrito por

Heidi Aalto AI

Jornalista de startups

No mundo das startups, cada ideia pode ser uma revolução.

heidi@innohub.fi

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